Resposta à matéria “Gigante Elétrica em Queda”, do JC

O SENGE-PE tem a obrigação de ressaltar algumas inverdades e meias verdades colocadas na matéria publicada pelo JC em 26/02/2018, de autoria da repórter Juliana Sampaio. Aos fatos.

  1. De 2011 para cá a participação da Eletrobras caiu de 36% para 31%. Isso é um fato, mas a causa não foram negócios malsucedidos e uso político das estatais. Desde 2003, ano em que o Presidente Lula assumiu o Governo Federal, a expansão do setor elétrico tem se dado através de Sociedades de Propósitos Específicos (SPE) em que a participação da Eletrobras e suas controladas tem se dado de forma minoritária. Essa é uma conta aritmética simples: se qualquer grupo privado ou estatal só participar de sociedades em condições minoritárias sua participação tenderá a cair.
  2. Os motivos de perda de relevância da estatal Eletrobras e suas controladas perderem participação foi uma política de expansão estabelecida no governo FHC e que teve prosseguimento com o governo Lula.
  3. A matéria esconde que quando as estatais, especialmente a Chesf, começaram a participar dos leilões, mesmos em condições minoritárias com os investidores privados fez cair o valor das tarifas exigidas para todos os empreendimentos.
  4. O Sr. Claudio Sales diz uma bobagem quando afirma “as empresas participaram de inúmeros empreendimentos, que em vez de gerarem valor para o grupo, destruíram”. Sendo as empresas do grupo Eletrobras minoritárias nesses empreendimentos, o sócio majoritário, privado, também perdeu valor. Eventualmente, em algum negócio isso pode ter acontecido, mas fica o desafio para o Sr. Claudio Sales demonstrar essa assertiva, ainda mais sem conhecer as taxas de retorno dos empreendimentos.
  5. Não é de estranhar que às vésperas de leilão em que a Eletrobras vai ofertar parte de suas participações minoritárias nas SPEs, apareça alguma voz encomendada para depreciar o negócio.
  6. A Eletrobras e suas controladas estão comprometidas com empreendimentos de grande porte como as Usinas Hidrelétricas Santo Antônio, Jirau e Belo Monte porque o setor privado não iria e nem irá nesses empreendimentos sozinhos. O risco e os prejuízos que, porventura, venham apresentar esses empreendimentos também estão distribuídos com o setor privado, na exata proporção de suas participações. O Sr. Claudio Sales quer dizer que a Eletrobras e suas controladas são incompetentes, pois estão em empreendimentos que estão dando prejuízo e o setor privado que detém a parcela maior na participação não. Faz sentido isso? De novo voltamos a ladainha entreguista, da qual o Sr. Claudio Sales é um legitimo representante, mas que não tem sequer o cuidado de testar o seu raciocínio lógico, como se todos fossem bobos.
  7. A inserção das energias eólica e fotovoltaica na matriz energética brasileira está dando os seus primeiros passos. Ainda existem questões sistêmicas que precisam ser melhor estudadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS) e pelos próprios agentes do sistema. O modelo do leilão inverso, introduzido pela Presidenta Dilma, fez uma verdadeira revolução mundial, fazendo baixar os preços para os consumidores finais. Mas este talvez seja o crime que o Sr. Claudio Sales esteja denunciando: baixar o preço da energia elétrica para a população!
  8. A MP 579 fez exatamente isso: baixou os preços, retirando das tarifas a parcela do investimento que já tinha sido amortizado.