Engenheiros de pesca debatem o processamento do pescado

A indústria de processamento de pescado foi tema de mesa de debate durante o XX Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca, Conbep, que aconteceu entre 8 e 11 de outubro em Florianópolis-SC.

Compuseram a mesa os engenheiros de pesca Dr. Rogério Jesus, Prof. Dr. Marcondes Agostinho Jr e Nestor José Braun. Os palestrantes fizeram uma abordagem geral sobre a situação atual da tecnologia de processamento de pescado, considerada a ponta do processo produtivo no Brasil.

O engenheiro de pesca Dr. Rogério Jesus, em sua apresentação, tratou dos benefícios do pescado para a saúde do consumidor, apresentando dados recentes sobre a produção pesqueira e o consumo do pescado no Brasil e no mundo. Ele apresentou uma tese de doutorado e duas dissertações de mestrado realizadas neste ano (2017), sobre hidrolisado proteico, defumação com fumaça líquida e atmosfera modificada, todos realizados no Amazonas, envolvendo o tambaqui, proveniente da psicultura, e o pirarucu, da área de manejo.

O engenheiro de pesca Prof. Dr. Marcondes Agostinho Jr, da Universidade Estadual do Amazonas, apresentou o Projeto Beijupirá e o engenheiro de pesca Nestor José Braun, da Cooperativa Agroindustrial Consolata, Copacol, falou a respeito do processamento da tilápia.

RESÍDUOS DO PESCADO

Durante o debate, o aproveitamento dos resíduos de pescado para elaboração de novos produtos com valor agregado despertou grande interesse dos congressistas. O processamento do pescado e a filetagem – processo que separa o filé do restante do peixe – gera uma quantidade muito grande de resíduos: vísceras, pele, ossos, cabeça, que, na maioria das vezes, são descartados provocando poluição ambiental. Para evitar essa degradação do meio ambiente, e também na busca por novas fontes de renda, cooperativas passaram a atuar, através da tecnologia de processamento, no aproveitamento do residual. A indústria, beneficiadora do pescado, junta os resíduos, congela e revende aos processadores, às cooperativas, que criam o subproduto. “A grande importância dessa atividade é que, além de impossibilitar a poluição do meio ambiente que esse ‘lixo’ iria proporcionar, agrega-se valor e rentabilidade a esses co-produtos”, explica Rogério Jesus.

“O mercado do couro do peixe já é uma realidade. Há o mercado dos artesãos, mas já existe o mercado dos produtos finos, com acessórios, bolsas, entre outros. Há um ano atrás, eu estive no Shopping Campinas, por exemplo, e encontrei uma bolsa de couro de pirarucu pintada de preto, ela custava R$1.800,00”, exemplificou o engenheiro.