Usina Hidrelétrica de Belo Monte é tema de cine debate

A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, Pará, foi o tema do primeiro cine debate realizado pelo Senge-PE, no dia 25 de abril. O documentário “Belo Monte, anúncio de uma guerra”, do diretor André D’Elia e a contribuição do engenheiro e ex membro do Conselho de Administração da Usina de Belo Monte, José Ailton, guiaram o caloroso debate no auditório deste Sindicato, que contou com a presença de dezenas de engenheiros e engenheiras.

O documentário, produzido em 2011, narra conflitos relacionados à construção da Usina, do ponto de vista dos índios, das associações sócio ambientais e lideranças indígenas da região do Xingu. Ele apresenta os impactos sociais que Belo Monte causou na população de Altamira, das regiões vizinhas e para o povo brasileiro, principalmente, no que se refere ao aumento populacional da região, tendo como consequência a saída de pessoas de suas moradias, aumento do número de doenças, prostituição e a proliferação de mosquitos. Através do filme, André D’Elia também denuncia os crimes ocorridos no processo e questiona o custo e a eficiência da obra, além dos danos ambientais e sociais.

Para fazer o contraponto, o engenheiro José Ailton apresentou a importância de Belo Monte para suprir a necessidade elétrica do Brasil e para dar continuidade ao processo de desenvolvimento econômico no país. De acordo com o engenheiro, Belo Monte tem capacidade de suprir as necessidades elétricas de 18 milhões de casas, sendo considerado um dos maiores projetos do setor elétrico do país, com potência instalada de 11,2gW.

“Além de ser uma produtora de energia eficiente, proporcionou naquela região do país a entrada do Estado, institucionalmente. A presença de Belo Monte teve esse caráter de fazer com que a região se integrasse ao território nacional: levando saúde, educação, justiça, ou seja, um desenvolvimento organizado”, afirmou José Ailton ao falar sobre a importância da usina hidrelétrica para a população da região do Xingu.

O engenheiro concorda que é preciso ter o cuidado com as questões ambientais e sociais, mas afirma que essas questões foram contempladas no projeto, seja através da compensação sócio ambiental, com saneamento, construção de hospital, entre outros, seja através do investimento de 500 milhões para projetos que promovam o desenvolvimento regional.  “A leitura do projeto era que as pessoas precisavam ficar numa situação melhor que elas estavam”, declarou.

Porém, de acordo com ele, a elaboração dos projetos sociais tem enfrentado uma grande dificuldade, uma vez que para a execução dos mesmos se faz necessário um acordo entre a comunidade local e as instâncias municipais, estadual e federal. O que não tem acontecido. “Por falta de entendimento, o projeto não sai do lugar, mesmo com o dinheiro à disposição, mesmo com a empreiteira disposta a construir”.