CONBEP: Presidente da ABCC, Itamar Paiva, reconhece a aquicultura como atividade de maior perspectiva no Brasil

Com investimentos, Brasil poderia liderar produção mundial do setor, defende Itamar Paiva no XX Conbep. 

A falta de apoios governamentais e de investimentos para o pequeno e micro produtor da aquicultura foram apontadas pelo presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar de Paiva Rocha, como as principais dificuldades para o desenvolvimento da aquicultura no Brasil, em conferência no XX Congresso Nacional de Engenharia de Pesca, em Florianópolis-SC.

“Não tem outra atividade no Brasil que tenha tanta perspectiva quanto o cultivo de camarão, mas os produtores convivem com um entrave que é a não regulamentação do setor, com falta de apoio governamental, seja no licenciamento, seja no financiamento. O grande produtor, embora com dificuldades, ainda consegue as licenças. Já o pequeno e micro produtor não. A consequência é eles não expandirem suas atividades, diminuindo a produção”, explica.

De acordo com o engenheiro, 54% da produção de camarão brasileira é através da aquicultura. “Ou seja, se não tivesse o cultivo de camarão, a população só viria camarão na fotografia, seria muito caro”, explicou.

Diante das dificuldades, não se consome o crustáceo no Brasil em maior quantidade por falta de produção. “Quando o Brasil sediou as Olimpíadas, por exemplo, o camarão foi a comida mais disputada entre os atletas”.

“Precisamos ter acesso a financiamentos, a licença ambiental, e organizar a base produtiva, que são os micros e pequenos produtores. Sem apoio da tecnologia, sem financiamento, vai ter produtividade de 300 a 400 quilos de camarão, mas o produtor que tem acesso a esses investimentos tem a produtividade de mais de 5 mil quilos, é uma diferença muito grande”.

Para Itamar, o Brasil tem condições de assumir a liderança mundial da produção deste setor. “O camarão marinho cultivado é uma atividade tecnicamente viável, socialmente justa, ambientalmente responsável e economicamente importante. Falta, apenas, vontade política, para incentivar a transformação dessas potencialidades em oportunidades de negócios, empregos e renda”, defendeu.

Para mudar o cenário, Itamar enfatiza a necessidade de muita luta, com envolvimento da sociedade e esclarecimento a respeito da atividade.  “O setor tem que se organizar pela base para poder pressionar o poder público em Brasília. Precisamos exigir uma vida com dignidade no campo”.

MANCHA BRANCA

Outro grande problema apontado pelo engenheiro de pesca é a doença mancha branca, considerada a mais devastadora no cultivo de camarão no mundo. A enfermidade foi descoberta no início dos anos 90, na China e no Japão. Em seguida, se espalhou pelo mundo, e começou a ser registrada no Brasil em 2004, no estado de Santa Catarina e, em 2014, apareceu no Nordeste. Ela não tem cura, mas o consumo dos camarões, mesmo infectados, é seguro.

FEIRA NACIONAL

Na ocasião, Itamar convidou os presentes para a Feira Nacional do Camarão, que acontecerá entre os dias 15 e 18 de novembro, em Natal-RN. “É o maior evento de carcinicultura e aquicultura da América Latina”, disse.