Futuro da Compesa é tema de audiência pública na Assembleia Legislativa

Aconteceu na manhã de hoje (14), na Assembleia Legislativa de Pernambuco, audiência pública a respeito do futuro da Compesa, que contou com a participação de deputados, vereadores, representantes sindicais e trabalhadores da Companhia.

A discussão em torno da possível privatização da Compesa tem mobilizado vários setores da sociedade, parlamentares, sindicatos, federações e trabalhadores da companhia, desde o primeiro trimestre de 2016, quando o Governo Federal apresentou o programa de concessões estaduais de saneamento. O Programa tem como objetivo desenvolver parcerias com a iniciativa privada na gestão de abastecimento de água e esgotamento sanitário, e contou com a aderência de 18 estados brasileiros, incluindo Pernambuco.

Para a deputada estadual Teresa Leitão, autora do requerimento que solicitou a audiência, a água, como um bem constitucional, não pode ser comercializada, portanto privatizar o serviço é inverter a lógica da água como direito humano. “Sabemos das posições públicas da Compesa, que afirma que não é um processo de privatização que está em curso. Mas, precisamos ter clareza do que irá acontecer, para superar os gargalos que existem aqui em Pernambuco, e se o novo procedimento irá contribuir, valorizando seus servidores, e tendo, evidentemente, um clima que possa contribuir para que a população, que é nosso foco último e principal, possa ser atendida com dignidade e com qualidade de vida”, afirma.

O presidente da Compesa, Roberto Tavares, alegou que a Programa de Parceria de Investimento, PPI, virá como uma parceria, e que o Estado não tem interesse na privatização. “Quem decide se vende ou não, é o dono da empresa, e o dono da empresa é o Estado. Então, aqui em Pernambuco essa decisão já foi tomada, não haverá a privatização da Compesa”, declara.

O Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco, Senge-PE, representado pelo presidente Fernando Freitas, se coloca na luta contra a privatização da Companhia junto ao Sindicato dos Urbanitários e demais sindicatos, associações e federações. “Não iremos aceitar a privatização da Companhia, e a entrega da água nas mãos dos que só visam ao lucro. As consequências desse programa serão duras: a população irá sofrer com o aumento das tarifas, a diminuição na qualidade dos serviços, o fim das tarifas sociais e com localidades mais pobres desassistidas, os compesianos passarão por demissões em massa e desvalorização do servidor público, e acabará com a responsabilidade social da Companhia”, defende Fernando Freitas.