Coletivo de Mulheres lança história em quadrinhos sobre Marielle Franco

Um mês após o assassinato da vereadora Marielle Franco, o Coletivo de Mulheres da Fisenge publica, no dia 16/4, uma história em quadrinhos sobre a violência de gênero e raça em notícias falsas, as chamadas “fake news”. De acordo com a engenheira e a diretora da mulher da Federação, Simone Baía, a tirinha tem o objetivo de alertar sobre a violação de direitos humanos em crimes contra a honra. “As redes sociais são importantes instrumentos de informação. Por outro lado, há um vasto campo de difusão de notícias falsas, atentando contra a dignidade das pessoas. Muitas vezes, o imediatismo do botão ‘compartilhar’ retrai a nossa capacidade de apuração da veracidade”, disse Simone, alertando sobre o caso de Marielle: “a vereadora, uma exemplar defensora dos direitos humanos, foi injustamente caluniada e difamada. Não podemos permitir a destruição de trajetórias políticas e reputações de mulheres lutadoras dessa forma. Esperamos que as investigações solucionem este caso que abalou o Brasil e o mundo”.

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8 de março, e as engenheiras?, por Simone Baia

Um relatório da Organização Mundial da Saúde aponta que o Brasil ocupa a 7ª posição entre as nações mais violentas para as mulheres de um total de 83 países. Essa semana, o estudo “Monitor da Violência”, uma parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que 12 mulheres são assassinados todos os dias, em média, no país. Foram considerados dados oficiais dos estados de 2017, contabilizando 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios. O 8 de março é uma data para reforçar não apenas a luta por igualdade de direitos e oportunidades, como também o combate à violência contra a mulher. E o que a engenharia tem a ver com o 8 de março?

A engenharia é uma área ainda predominantemente masculina. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apontam que apenas 16% dos profissionais registrados são mulheres. Por outro lado, aumenta o número de mulheres nas universidades, fato que não se reflete na inserção do mercado de trabalho. Desde a universidade, ser mulher na engenharia é um desafio e uma luta. Isso porque as situações de machismo acontecem nas salas de aula, laboratórios, corredores e trabalhos em campo. Infelizmente, ainda é comum professores avaliaram alunas por suas características físicas ou as jovens serem cerceadas de estudos em campo, além das piadinhas entre os colegas que colocam em xeque a nossa capacidade intelectual. Estas são situações que também passamos no mercado de trabalho. A todo momento, precisamos nos afirmar como profissionais competentes, acumulando, inclusive, muitas jornadas de trabalho. No trabalho em campo, é comum ouvirmos dos homens “onde está o engenheiro?”. E sempre temos que responder: “Eu sou a engenheira” ou ainda temos que lidar com a falta de banheiro feminino (situação que persiste em alguns lugares), com a falta de EPI (Equipamento de Proteção Individual) adequado para mulheres e com salários desiguais, mesmo exercendo a mesma função de um colega.
Todos estes enfrentamentos são perpassados pelo combate à violência contra a mulher, uma vez que nenhuma de nós está imune a agressões, sejam elas verbais, emocionais, patrimoniais ou físicas. A violência contra a mulher atinge todas as classes sociais e com o agravante de que mulheres negras são as que mais morrem – 54% de aumento -, segundo o Mapa da Violência de 2015.

Graças às mobilizações de mulheres e à Lei da Maria da Penha, o silêncio tem sido quebrado. O amparo do Estado em situações de violência é fundamental para o combate à violência contra mulheres. Em 2015, foi aprovada a lei 13.140, que qualifica o feminicídio no Código Penal como crime de homicídio. E, mesmo assim, os dados e os casos são estarrecedoras. Precisamos romper com o silêncio e com os preconceitos estruturais que precarizam a vida das mulheres. Em tempos de censura, cerceamento e aprofundamento da lógica neoliberal, urge o debate sobre gênero na sociedade. Isso significa pensar políticas públicas para nós, mulheres, para nossas filhas, nossas mães, nossas irmãs, nossas colegas de trabalho. Somos muitas e estamos em todos os espaços e, para que possamos avançar, é necessário que homens também tomem essa discussão para si. O combate à violência contra a mulher e a luta por igualdade de direitos é uma luta de toda a sociedade.

A nossa luta é todo dia. Nenhuma mulher a menos. Vamos juntas.

Simone Baía é engenheira química e Diretora da Mulher da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

Senge-PE lança Coletivo de Mulheres

A diretoria da mulher do Senge-PE realizou, no dia 22 de agosto, o lançamento do Coletivo de Mulheres Engenheiras de Pernambuco, em evento no auditório do Sindicato. “O lançamento representa um avanço na luta por um mundo do trabalho mais igual e por mais participação das mulheres nas atividades sindicais”, ressaltou a diretora da Mulher do Senge-PE, Eloisa Basto.

Através do Coletivo, a entidade busca se aproximar cada vez mais das mulheres trabalhadoras, pautando questões de gênero, seja nos Acordos Coletivos de Trabalho, seja nas demais instâncias de poder, além de promover ações que visem ampliar o diálogo a respeito dos direitos das mulheres.

O diretor de comunicação do Senge-PE, Roberto Freire, fez uma breve apresentação a respeito da luta das mulheres por uma sociedade igualitária, enfatizando a importância da organização e da luta diária.

A diretora do Senge-RJ e representante do Coletivo de Mulheres da Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros, Fisenge, Virgínia Brandão, ressaltou a importância do lançamento deste Coletivo diante da atual conjuntura. Ela, aproveitando a oportunidade, deixou um recado para as mulheres presentes: “Engenheiras de Pernambuco, juntas com outras mulheres, estudem, pensem e se organizem para a luta por um país melhor para todos, pela soberania nacional, pela igualdade entre todos, homens e mulheres”.

A presidenta do Crea-PB, Giucélia Figueiredo, falou sobre o protagonismo das mulheres ao resistir e persistir na luta contra a violência sexista, o machismo e a homofobia.

No evento, a diretora da Mulher do Senge-PE, Eloisa Basto, apresentou a animação “Lei é pra ser cumprida”, da personagem Engenheira Eugênia, protagonista de histórias em quadrinhos publicadas pela Fisenge.

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Diretoria da Mulher do Senge-PE lança o Coletivo de Mulheres Engenheiras

O Sindicato dos Engenheiros no Estado de Pernambuco, Senge-PE, através da diretoria de mulher da entidade, instituirá o Coletivo de Mulheres Engenheiras no dia 22 de agosto, às 19h, no auditório do Sindicato. O lançamento representa um avanço na luta por um mundo do trabalho mais igual e por mais participação das mulheres nas atividades sindicais, bem como nas mesas de negociação.

Através do Coletivo, a entidade busca se aproximar cada vez mais das mulheres trabalhadoras, pautando questões de gênero, seja nos Acordos Coletivos de Trabalho, seja nas demais instâncias de poder, além de promover ações que visem ampliar o diálogo a respeito dos direitos das mulheres.

Para a diretora de mulher do Senge-PE, Eloisa Moraes, a formação do coletivo de mulheres surge para fomentar um espaço de debate, de troca e de encontro entre as engenheiras. “Vamos promover espaços de discussão a respeito do ambiente de trabalho na engenharia e a inserção neste mercado de trabalho, visto como essencialmente masculino”, afirma.

Evento – O evento terá palestra com o vice-presidente da Fisenge (Federação Interestadual dos Sindicatos de Engenheiros) e diretor do Senge-PE Roberto Freire e com representante do Coletivo de Mulheres da Fisenge. Contará ainda com o lançamento do Compêndio das tirinhas da Engenheira Eugênia, que é protagonista de histórias em quadrinhos publicadas há mais de três anos pela Fisenge.