XX Congresso Nacional de Engenharia de Pesca movimenta setor pesqueiro em Florianópolis

Professores, estudantes, produtores e pescadores se encontram em Florianópolis em principal fórum nacional da área

O XX Congresso Nacional de Engenharia de Pesca começou no último domingo (08/10) e vai até a quarta-feira (11/10), no Centro de Eventos da Associação Catarinense de Medicina, em Florianópolis-SC. Com o tema “Tecnologia e Inovação para a Pesca e Aquicultura”, o Congresso conta uma uma média de 700 participantes, entre palestrantes e congressistas.

O encontro, que acontece a cada dois anos, é o principal fórum nacional de intercâmbio técnico-científico da área e promove espaços de debate e de disseminação de inovações da cadeira produtiva da pesca e da aquicultura. Estão presentes pesquisadores nacionais e internacionais, professores, estudantes, profissionais, produtores e empresários da cadeia produtiva de pesca e da aquicultura, organizações governamentais e não governamentais.

Para o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros de Pesca, FAEP-Br, Elizeu Brito, o objetivo do Congresso é dar visibilidade à engenharia de pesca e à aquicultura como setores fundamentais para o avanço tecnológico e a renovação tanto no cultivo, quanto na captura do pescado.

Nesta edição, 75% dos congressistas são estudantes, o que se apresenta como um novo desafio para a categoria. “O CONBEP faz com que os estudantes tenham conhecimento de tudo que ocorre nos estados brasileiros, ele passa a ter uma visão nacional do setor, além de conhecer outros professores e outros colegas. Reconhecemos a importância de incentivar e contribuir na formação dos estudantes”, ressaltou Elizeu ao informar que acontecerá o Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia de Pesca, ainda este ano, no Espírito Santo.

NORUEGA

Outra peculiaridade deste evento é a participação do governo norueguês, através da realização de conferências ou participação em mesas redondas. “A Noruega sempre foi um país referência na atividade da pesca. A parceria com o Brasil é muito importante para fazer a dinâmica e a melhoria da nossa gestão e da governança do setor. A proposta é o governo impor as regras e oferecer os incentivos e o pescador e demais agentes do setor pesqueiro devolver com qualidade na produção, ou seja, preservamos o meio ambiente e continuamos a produzir em escala crescente”, relata o presidente da FAEP-Br.

TRABALHOS ACADÊMICOS

Durante o evento, estão sendo apresentados 532 trabalhos acadêmicos, oriundos das Academias e de entidades de pesquisa. “Uma produção acadêmica técnica e científica muito grande. Mesmo com toda a dificuldade do atual cenário brasileiro, as pesquisas continuam, a prova é a quantidade de trabalhos que estão sendo apresentados”.

Para Elizeu, o Brasil precisa investir em pesquisas dirigidas, pontualmente, para o desenvolvimento e a atividade de produção e comercialização.

DIFICULDADES E DESAFIOS

A questão institucional é a maior dificuldade da engenharia de pesca, defende Elizeu Brito. “Por conta de problemas institucionais, de regulamentação ou de legislação, a atividade pesqueira e aquícola é pouco beneficiada com incentivos de empréstimos governamentais”, ressaltou. Para ele, melhorando esse entrave, o setor tem potencial de ter uma produção igual ou superior a criação de animais terrestres.

A volta da Secretária de Aquicultura e Pesca para o status de ministério deixa a categoria mais otimista. O presidente da FAEP-Br defende que o primeiro desafio é reorganizar a pasta, em seguida, é preciso trabalhar e investir na regulamentação e pesquisa estatística pesqueira. “Precisamos conhecer o setor pesqueiro, a estatística pesqueira não é algo fácil de se fazer. Enquanto outros países têm 3 ou 4 espécies de peixes, só na região Norte temos mais de 40, o que dificulta muitas vezes. Esse será o grande desafio, precisamos saber o tamanho para medir o quanto podemos crescer”, argumentou.