Mobilidade tem solução?, por Jurandir Liberal

O termo mobilidade passou a ser utilizado frequentemente, não apenas por
arquitetos e engenheiros que cuidam do desenvolvimento urbano da cidade, mas
também por pessoas comuns preocupadas com a dificuldade de locomoção. Em paralelo
a essa preocupação, e contradizendo-a o uso de automóveis, estimulado pela
propaganda, pela comodidade e, principalmente, pela falta de um sistema de transporte
público adequado, tornou-se muito mais comum.
As nossas calçadas não são acessíveis, e a situação fica pior quando nos
referimos àqueles que possuem algum tipo de limitação motora e/ou visual. Essas
pessoas, quando ousam sair, enfrentam um verdadeiro desafio. As calçadas não são
apropriadas e não permitem a passagem de cadeiras de rodas e, muitas vezes, os
cadeirantes precisam passar pelas ruas, correndo risco de serem atropelados. Elas, então,
se tornam prisioneiras em suas casas, sem acesso aos serviços e espaços públicos.
No Recife, o Plano Diretor, revisado em 2008, estabeleceu um prazo para o
envio do Plano de Mobilidade da capital pernambucana. Sete anos depois, este
documento ainda não chegou à Câmara Municipal do Recife. Com esse instrumento, o
Poder Público assumiria uma responsabilidade com a reorganização da cidade, dentro
das necessidades atuais em torno da melhoria da mobilidade urbana. O Plano de
Mobilidade  deverá definir diretrizes para priorizar o transporte coletivo, com vias
exclusivas para ônibus, além de buscar uma forma de garantir que os usuários tenham
conforto e segurança. Incentivar o uso de bicicleta também é uma alternativa para a
melhoria da locomoção, é necessária a criação de ciclovias e ciclofaixas seguras e
bicicletários e/ou estacionamentos para bicicletas, incentivando, assim, a integração
com outros modais.
Por fim, é indispensável lembrar que somos todos pedestres.  As calçadas do
Recife, quando existem, são estreitas, cheias de obstáculos (excesso de postes, esgotos a
céu aberto, pisos irregulares), não possuem sombras, não são seguras, a iluminação é
insuficiente, entre vários outros fatores que a tornam não convidativa ao pedestre.
Portanto, a responsabilidade com a mobilidade é uma questão de todos nós, cidadãos. É
preciso que a população também mude alguns comportamentos. Como, por exemplo,
morar o mais próximo dos locais que costuma exercer suas atividades, seja trabalho,
estudo e lazer. Além, claro, de realizar trajetos a pé, de bicicleta e fazer mais uso do
transporte coletivo.

Artigo escrito em março de 2016, pelo engenheiro civil e ex-vereador do Recife Jurandir Liberal.